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Mensagem para os Aikidocas do Rio de Janeiro, Brasil.
Gaku Homma, Nippon Kan Kancho
Gostaria de agradecer a todos os Aikidokas que participaram no Seminário coordenado
pelo Sensei
Luc Leoni, e patrocinado pela AHAN, nos dias 1Å e 2Å de junho.
Todos treinaram intensamente e eu, pessoalmente, consegui aprender bastante durante o final de semana
que passamos juntos.
O Seminário foi um grande sucesso. Conseguimos arrecadar fundos suficientes para fornecer ao Orfanato
Obra do Berço no Rio, leite, fraldas e outros artigos essenciais por um ano inteiro. Para mais
informações visite o nosso Web Site, www.nippon-kan.org.
Este ano o tema do seminário foi a flexibilidade do corpo e da mente aplicados à técnica
do Aikido. Um fator crítico no conceito de flexibilidade é kuzushi, ou seja, a criação
de “momentum” para tirar o equilíbrio do parceiro, e assim poder executar diversas
técnicas. (A forma em que esse “momentum” é utilizado para executar um variado
número de técnicas é muito importante).
Alguns estilos de Aikido são praticados sem que exista nenhum tipo de resistência por parte
dos praticantes. Nestes estilos não pode existir resistência já que dessa forma o
ritmo seria quebrado.
Por exemplo, eu já vi a execução de shomenuchi/iriminague onde nage mantendo o pescoço
do parceiro, realiza vários tenkans fazendo o parceiro girar em círculos antes de finalizar
a técnica. Esta forma de prática não é fundamentada na realidade; é a
prática de uma ilusão. O Aikido é uma arte marcial, não é uma aula
de arranjo floral. Na realidade não podemos movimentar o parceiro uma e outra vez em círculos,
já que ele resistirá em algum momento para corrigir o movimento.
A prática de Aikido necessita reflexão e faz parte da nossa vida dentro e fora do tatami.
A nossa vida não se movimenta em perfeitos e suaves círculos. Na vida, encontramos resistência,
desafios, oportunidades, vitórias e derrotas. Isto é o que faz a nossa vida real e interessante
ao mesmo tempo.
O treinamento de Aikido deve oferecer, então, a possibilidade de desenvolver um espírito
forte, a flexibilidade e a criatividade que necessitamos para enfrentar o dia a dia. É aqui que
aprendemos o que significa felicidade. A nossa prática é a via para resolver resistência
física sem se basear unicamente na força muscular ou na cooperação de um
parceiro totalmente complacente. Isto é o que constitui uma prática agradável.
Não existe uma arte marcial fundamentada numa realidade que não considera a resistência
ou o contra-ataque do adversário; então não faz sentido ficar satisfeito dançando
uma valsa com um parceiro que não oferece resistência. Não podemos jogar alguém
com o toque de só um dedo, ou com um gesto da vontade. Da mesma maneira, não é benéfico
para o uke acompanhar indiscriminadamente o nage sem procurar uma oportunidade de quebrar o ataque.
Na nossa prática as grandes variedades de ataques criam diferentes cenários e aprendemos
como lidar com diferentes situações, respondendo com mente e corpo flexíveis. Isto é o
que faz possível constituir um espírito forte e sereno para enfrentar os diversos obstáculos
e desafios da vida. Esta serenidade vem de um contato profundo com a realidade, não do afastamento
dela. No aspecto físico fortalecemos os nossos corpos, e junto com a nossa mente desenvolvemos
as habilidades que necessitamos para o nosso dia a dia.
Não me inspiram muito respeito aqueles que falam que são muito bons no Aikido, sem dúvida
existem muitos que são bons tecnicamente. Respeito profundamente àqueles que incorporam
as competências do Aikido no dia a dia.
Hoje o Sensei Luc Leoni e seus alunos estão trabalhando forte para desenvolver a AHAN Rio de Janeiro.
Da mesma forma que na AHAN na sede central da Nippon-Kan em Denver, Colorado, as atividades e filosofia
são baseadas em objetivos humanitários.
Estes projetos não são somente para os membros da AHAN, mas para toda a comunidade de Aikidocas.
O objetivo da minha visita ao Rio foi apoiar os objetivos humanitários da AHAN Rio. A AHAN não
me pertence. A AHAN não pertence a pessoa alguma. O conceito de AHAN pertence a todos nós.
No futuro espero que outros professores se juntem em esforços como este para apoiar as comunidades
nas quais eles se encontram.
Sem dúvida os beneficiados são aqueles que precisam da nossa ajuda, mas as pessoas que
colaboram se beneficiam através desta ação positiva.
Durante esta viagem eu fui convidado a visitar outros dojos no estado do Rio de Janeiro. Estes convites
me honraram profundamente, mas a minha ética pessoal é a de respeitar aos professores de
cada dojo e as suas respectivas organizações. Todos eles têm a sua própria
hierarquia e sei que cada professor tem trabalhado muito para desenvolver seus dojos.
De acordo com a as maneiras da cultura japonesa e do cerimonial, é fundamental receber um convite
do professor com a graduação mais alta do dojo antes da visita. Com profundo respeito,
decidi esperar até que as visitas sejam corretamente arranjadas.
O tema de meu ensino é Aikido, comunidade e serviço. A finalidade da AHAN no mundo é a
de elevar a imagem e a compreensão do Aikido, além de estilo ou afiliação.
Os projetos comunitários servem para reforçar a natureza do Aikido e atrair novos participantes.
Espero poder continuar interagindo com os Aikidocas do Rio de Janeiro, e estou planejando retornar na
segunda metade do ano. Gostaria de oferecer um seminário sobre bokken e jo aos professores dos
vários dojos no Rio, independente do estilo praticado. Estes professores poderão retornar
aos seus respectivos dojos para ensinar seus próprios alunos.
Mais uma vez, agradeço a sua participação no seminário AHAN e a sua contribuição
na arrecadação de fundos.
Muito obrigado,
Gaku Homma
Nippon Kan Kancho
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A Message to All Aikidoist in Rio de Janiero, Brazil
From Gaku Homma, Nippon Kan Kancho
I want to thank everyone for attending the fundraising seminar sponsored by AHAN Rio-(Aikido
Humanitarian Active Network) coordinated by Luc Leoni Sensei this last 1st and 2nd of June,
2003. The
seminar was a wonderful success in that enough funds were raised to supply the
Obra do Berco Orphanage in Rio with enough formula, diapers and other essentials for at
least one year.
All of the students from the Rio de Janeiro area trained very hard, and I learned a great
deal from the weekend I spent will all of you.
The theme of the seminar this year was “The flexibility of mind and body applied to
Aikido technique.” Critical to this concept of flexibility is kuzushi or creating momentum
by breaking your partner’s balance. How to use this created momentum to execute
a flexible variety of techniques is the key.
Some softer styles of aikido are practiced without any resistance by either partner.
In these styles if any resistance is offered, it cannot be dealt with as the “rhythm” is
broken. For example I have seen shomenuchi/iriminage executed where nage holds his partner’s
neck and tenkans around, and around and around, and around moving his or her partner in a
circle in front of them, finally executing a “throw” to finish the technique.
Practicing this Aikido technique in this fashion is not based in reality; it is practicing
an illusion. Aikido is a martial art; it is not a class in flower arrangement. In reality,
you cannot make a partner move before you in circles over and over again; they would
resist this and correct their movement.
Our practice of Aikido needs to be part of and reflect our lives off the mat, as well
as on. Our lives do not move smoothly in circles round and round. We meet resistance,
challenges,
opportunities, victories and defeats. This is what makes our lives real, and makes our
lives interesting.
What our Aikido training should be then, is a training to develop the strong spirit,
flexibility and creativity we need to face the challenges we meet everyday. This is where
we learn about
happiness. Our Aikido practice is an exercise in finding solutions to physical resistance,
without relying solely on either pure muscle or the cooperation of a compliant partner.
This makes for a satisfying practice.
There is no martial art based in reality that does not consider the resistance or counter
attack of a partner. To be satisfied with waltzing with a totally nonresistant partner
has roots in irrationality. No one can learn to make someone fall down with the touch
of a finger
or with a gesture of will. It is also not beneficial to the uke to practice following
indiscriminately without watching for opportunity.
In our practice, we practice different scenarios with a variety of attacks. We learn
how to deal with a variety of situations; how to respond with a flexible mind and body.
Learning
how to deal with these variables leads to the making of a strong spirit and a clear power
to meet challenges and obstacles. This clarity lies in dealing in reality not running
from it into mystery. Physically we build our bodies, and together with our minds we
develop the
skills we need for our daily lives.
I hold little respect for those who claim they are “good at Aikido”; there
are many that are proficient in their technique. What I do respect are those, and they
are not
as many, who incorporate their skills as an Aikidoist into their lives on a daily basis.
Currently, Luc Leoni Sensei and his students are working diligently to develop AHAN Rio
and to help it grow. Like AHAN headquarters at Nippon Kan in Denver, Colorado, the origin
of
activities and philosophy of AHAN is based in humanitarian objectives. These projects
are not only for AHAN members, they are for all of us as an extended Aikido community.
This year I have come to Rio de Janiero to help support the humanitarian goals of AHAN
Rio. AHAN is not mine, it does not belong to me or to any one person. The concept of
AHAN belongs
to all of us. In the future, I hope that other instructors will join in efforts like
these to support the communities we live in. The benefit belongs to those in need in
our communities,
but everyone who participates, benefits through positive action.
On this trip I was scheduled to visit other dojos in the Rio de Janeiro area individually.
While being honored by the invitations, it is a very important policy of mine to respect
each dojo’s instructors and their organizations. I know that each dojo is part
of its own hierarchy, and that each instructor has worked very hard in Brazil to create
the
dojos they
have. In accordance with Japanese manners and etiquette, it is customary to receive permission
from the highest ranking instructor of any dojo before visiting. Out of respect, I chose
to wait until such visits might be more properly arranged.
The theme of my teaching is Aikido and community and service. AHAN’s purpose worldwide
is to raise the image and understanding of Aikoists beyond style or affiliation, everywhere;
in America, Brazil, all over the world. Community service projects serve to reinforce
the nature of Aikido and attract new participants. This is a natural benefit to the Aikido
community as well.
I hope to continue to share with Aikidoist is Rio de Janiero, and I am planning to return
later this year. I would like to hold a seminar to teach bokken and jo to leader groups
from all styles of dojos in Rio. These leaders can then return to their dojos and teach
their
own students.
Thank you again for your participation and contributions to this years fundraising AHAN
seminar.
Obrigado!
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